
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo federal, Gleisi Hoffmann, voltou a criticar governadores de partidos de direita por, segundo ela, alimentarem divisões políticas no país e contribuírem para o fortalecimento de discursos que defendem interferência externa em países da América Latina. A declaração foi feita nesta sexta-feira, em publicação nas redes sociais.
Gleisi afirmou que os governadores deveriam se alinhar ao governo federal para construir soluções conjuntas na área de segurança pública. Ela citou a Proposta de Emenda à Constituição 18, conhecida como PEC da Segurança Pública, enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional. Segundo a ministra, a proposta busca estruturar um modelo nacional de combate ao crime organizado. “Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”, afirmou.
O debate ocorre no momento em que os Estados Unidos têm intensificado a presença militar no Caribe, próximo à Venezuela, sob o argumento de combater o narcotráfico. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirma que a movimentação tem objetivo político. Gleisi também comparou governadores ao deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e é acusado de defender sanções econômicas contra o Brasil e autoridades brasileiras. “Não conseguem esconder seu desejo de entregar o país ao estrangeiro, do mesmo jeito que Eduardo Bolsonaro e sua família de traidores da pátria fizeram com as tarifas e a Magnitsky”, disse.
Na quinta-feira, sete governadores anunciaram no Rio de Janeiro a criação do Consórcio da Paz, projeto que prevê integração de informações de inteligência e apoio operacional entre os estados. O encontro ocorreu após a Operação Contenção, que deixou 121 mortos nas comunidades do Alemão e da Penha. Governadores presentes elogiaram a ação. Já entidades de direitos humanos e moradores denunciam abuso policial, execuções e tortura. O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como chefe do Comando Vermelho, não foi preso.
Os governadores que criticam a PEC da Segurança afirmam que o texto reduz a autonomia estadual sobre as polícias. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, declarou que a proposta representa “intervenção direta” do governo federal nas forças locais. Já o Planalto argumenta que a iniciativa busca estabelecer diretrizes nacionais, preservando competências estaduais e fortalecendo o planejamento integrado entre os entes federados.
