Ceará Por Redação

Elmano de Freitas destaca potencial do Ceará para a transição energética na COP30

Imagem: Lucas Almeida

O governador Elmano de Freitas apresentou nesta quarta-feira, durante o quarto dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, as principais estratégias do Ceará para avançar na transição energética justa. Representando os estados do Nordeste, o chefe do Executivo participou do painel “Do Nordeste para o Mundo: o papel da Caatinga e do Hidrogênio Verde para a Transição Energética Justa”, destacando o pioneirismo cearense no desenvolvimento de energias renováveis. O evento reuniu cerca de 50 mil participantes, entre diplomatas, cientistas, empresários, ativistas e lideranças políticas, consolidando o espaço como uma das agendas ambientais mais importantes do planeta.

Ao lado da secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Vilma Freire, da secretaria-executiva da Indústria do Desenvolvimento Econômico, Brígida Miola, e do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri, Elmano reforçou que a política ambiental cearense está alinhada ao crescimento econômico e à inclusão social. O governador destacou o histórico do estado na implantação das primeiras estruturas eólicas comerciais do Brasil, iniciadas ainda na década de 1980, além de iniciativas como a planta de biodiesel e bioquerosene de aviação, o atlas interativo eólico e solar, a inserção de biogás na rede de gás natural e a primeira usina solar conectada ao Sistema Interligado Nacional. Esses avanços consolidaram o Ceará como berço de iniciativas pioneiras no país e, mais recentemente, como sede do Hub de Hidrogênio Verde.

Durante a apresentação, Elmano de Freitas também chamou atenção para o protagonismo do Nordeste. A região concentra seis dos dez maiores produtores de energia solar do país, responsável por 52 por cento da potência instalada nacional, além de oito dos dez maiores parques eólicos. Cerca de 90 por cento da potência eólica brasileira está na região, que também lidera a geração distribuída, com Bahia, Pernambuco e Ceará reunindo 5,3 gigawatts instalados. O governador ressaltou ainda a importância de levar essa energia limpa à população de menor renda, citando projetos que beneficiam famílias incluídas no Minha Casa Minha Vida.

O potencial cearense para o Hidrogênio Verde foi outro destaque. Elmano apresentou nove pontos estratégicos que reforçam a vantagem competitiva do estado, que já possui o maior número de contratos assinados para produção de H2V e derivados no Brasil. Entre os projetos citados está o terminal dedicado ao escoamento da produção, previsto para 2026, e que fará parte da infraestrutura compartilhada do Complexo do Pecém, onde estão concentrados os produtores de amônia verde. Para o governador, a transição energética global passa inevitavelmente pelo hidrogênio verde, e o Ceará reúne condições logísticas, geográficas e institucionais para se firmar como um grande polo do setor.

Elmano de Freitas também destacou o ambiente de investimentos no Nordeste. A chamada pública da Nova Indústria Brasil, que previa 10 bilhões de reais, recebeu propostas que somam quase 13 vezes esse valor, com forte presença de projetos ligados à transição energética, bioeconomia e data centers verdes. No Ceará, esse movimento é impulsionado pelo ecossistema de inovação e pelas parcerias com universidades e instituições de pesquisa, que formam profissionais para o setor de energias renováveis. O governador enfatizou que o estado oferece segurança jurídica, equilíbrio fiscal e processos de licenciamento ambiental mais ágeis, garantindo previsibilidade e diálogo com comunidades e empresas.

Após a fala de Elmano, o painel seguiu com apresentações da consultora internacional de Hidrogênio Verde, Mônica Panick, que abordou a exportação sustentável no setor, do diretor-executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, que tratou da importância do bioma para a transição energética, e da professora da Universidade Federal do Ceará, Mônica Abreu, que discutiu educação, impactos sociais e a repartição de riqueza gerada pelos novos empreendimentos.