
A ministra do Supremo Tribunal Federal Carmén Lúcia afirmou neste sábado, no Rio de Janeiro, que a democracia exige vigilância e dedicação diária para resistir a investidas autoritárias. Durante participação na Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa, ela comparou regimes de exceção a ervas daninhas que, se não forem retiradas, voltam a ameaçar o ambiente democrático. A fala ocorre poucos dias após o STF determinar o início do cumprimento das penas dos condenados do chamado Núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado, que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro, militares e ex-integrantes de seu governo.
A ministra destacou que documentos apreendidos nos processos tratavam de planos que incluíam assassinatos de autoridades e a “neutralização” de ministros do Supremo, termo que, segundo ela, significava eliminar fisicamente magistrados para impedir sua atuação. Carmén Lúcia também ressaltou que a primeira vítima de qualquer ditadura é a Constituição e reforçou que a defesa da democracia deve se estender a espaços culturais, como a Casa de Rui Barbosa, que historicamente se relaciona com lutas por direitos e garantias fundamentais.
Ela afirmou ainda que ambientes literários ampliam o acesso do público a reflexões sobre democracia, permitindo debates mais plurais do que aqueles que ocorrem apenas nas instâncias formais do Estado. A ministra encerrou destacando a trajetória de Rui Barbosa, lembrado por enfrentar perseguições e pelo compromisso com a defesa das liberdades, e afirmou que abrir a instituição para discussões sobre democracia reforça seu papel social.
