
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira que o Poder Judiciário está atento aos episódios considerados estarrecedores de violência contra a mulher no Brasil. A manifestação ocorreu durante a abertura da sessão da Corte e foi motivada por casos recentes de grande repercussão nacional, como o feminicídio da professora Catarina Karsten, de 31 anos, assassinada em Florianópolis após sofrer violência sexual enquanto fazia uma trilha na Praia do Matadeiro.
Ao se pronunciar, Fachin disse que o Judiciário reafirma o compromisso com a defesa das mulheres, tanto na responsabilização penal dos agressores quanto no acolhimento das vítimas. Segundo o ministro, os dados anuais sobre violência de gênero revelam um cenário alarmante, no qual mulheres e meninas vivem sob medo constante, seja ao sair de casa, no ambiente de trabalho ou dentro do próprio lar, espaço que concentra grande parte das agressões.
O presidente do STF também mencionou outros episódios recentes, como casos registrados em São Paulo e no Recife, que resultaram em mortes de mulheres em contextos de violência doméstica e de ex-relacionamentos. Para Fachin, esses crimes evidenciam a urgência do enfrentamento ao problema e a necessidade de respostas institucionais mais firmes.
Fachin destacou ainda que a proteção da dignidade das mulheres é um dever constitucional e fez um apelo por uma mudança cultural profunda no país. Segundo ele, é fundamental que a sociedade reconheça sem hesitação a gravidade da violência de gênero, rompendo com o silêncio, o preconceito e a naturalização de atitudes machistas, substituindo-os pela denúncia, pelo apoio às vítimas e pela exigência de responsabilização dos autores. Dados do Ministério das Mulheres apontam que, no ano passado, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 casos de homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte contra mulheres no Brasil.
