
Em resposta à ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro, a Venezuela solicitou formalmente uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que foi agendada para a manhã desta segunda-feira (5 de janeiro de 2026). A sessão será realizada na sede da ONU, em Nova York, com início previsto às 10h locais (12h em Brasília), para examinar a crise desencadeada pelo ataque militar norte-americano e seus impactos no direito internacional e na segurança global.
O pedido de reunião foi apresentado pela Venezuela e transmitido também pela Colômbia, que recentemente ingressou como membro do Conselho, com o suporte de grandes potências como Rússia e China, que apoiaram a convocação do encontro para discutir a “agressão contínua” dos EUA contra território venezuelano e as questões relacionadas ao uso da força sem autorização da ONU.
A pauta central da reunião é a legalidade da operação militar que resultou na deposição e captura de Maduro, evento descrito por diversos especialistas e líderes internacionais como uma séria violação do princípio da soberania dos Estados. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já tinha alertado que a ação poderia criar um “precedente extremamente perigoso” no sistema internacional, uma vez que não ocorreu com autorização do Conselho de Segurança, nem há justificativa clara de legítima defesa sob a Carta da ONU, princípios fundamentais que regem o uso da força entre Estados-membros.
Diversos países latino-americanos também intensificaram suas manifestações em torno da reunião. Enquanto governos como o da Colômbia, Chile, México e Brasil defendem a preservação da paz regional e a necessidade de solução diplomática, outros líderes criticam abertamente a operação dos EUA como uma agressão e uma afronta ao direito internacional. A Argentina, por outro lado, externou apoio ao resultado da captura de Maduro. Essas posições deverão ser apresentadas pelos seus representantes na sessão do Conselho.
Segundo fontes diplomáticas que acompanham a organização da reunião, além de representantes das nações-membro do Conselho, deverão participar sob a Regra 37 representantes de Estados não membros, como Brasil, Argentina, Cuba e México, que solicitaram participação para expressar suas posições oficiais em relação à crise venezuelana e aos ataques dos EUA.
