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Estados Unidos negam guerra na Venezuela, e governo Maduro pede condenação da ONU por violação de soberania

Imagem: Don Conahan | ONU

Os Estados Unidos negaram nesta segunda-feira, 5, estar em guerra ou ocupar a Venezuela ao justificar, em reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a operação realizada em Caracas no último sábado, 3, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Enquanto Washington classificou a ação como aplicação da lei, o governo venezuelano denunciou agressão armada, violação da soberania nacional e interesse econômico nos recursos energéticos do país.

Durante a sessão na ONU, o embaixador norte-americano Michael Waltz afirmou que a operação teve caráter jurídico e não militar, ainda que tenha sido facilitada pelas Forças Armadas. Segundo ele, não houve guerra contra a Venezuela nem ocupação territorial, mas o cumprimento de acusações legais que, de acordo com os Estados Unidos, existem há décadas contra Maduro. O diplomata declarou que o presidente venezuelano foi preso como narcotraficante e responderá a julgamento nos Estados Unidos por crimes cometidos ao longo de 15 anos, no que chamou de respeito ao Estado de Direito.

Waltz também reiterou que os Estados Unidos não reconhecem Nicolás Maduro como chefe de Estado legítimo, citando que mais de 50 países rejeitam o resultado das eleições de 2024, consideradas fraudulentas por um painel de especialistas da ONU. Ele comparou a operação ao sequestro do ex-ditador panamenho Manuel Noriega, em 1989, e afirmou que não se pode conceder legitimidade internacional a um líder que, segundo Washington, transformou a Venezuela em base de atuação de adversários dos Estados Unidos, como Irã, Hezbollah e agentes cubanos, além de manter sob controle ilegítimo as maiores reservas de energia do mundo.

Em resposta, o embaixador venezuelano Samuel Moncada pediu que o Conselho de Segurança condene de forma clara e inequívoca a ação norte-americana, classificando o sequestro de Maduro como violação flagrante da Carta das Nações Unidas. Segundo ele, houve afronta direta ao princípio da soberania dos Estados e à proibição do uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer país. Moncada ressaltou que a imunidade presidencial não é um privilégio pessoal, mas uma garantia institucional essencial para a estabilidade do sistema internacional.

O representante venezuelano acusou ainda os Estados Unidos de terem motivações econômicas por trás da ofensiva, especialmente relacionadas ao controle do petróleo e de recursos estratégicos do país. De acordo com ele, o uso da força para controlar recursos naturais, impor governos ou redesenhar Estados resgata práticas coloniais e neocoloniais e representa uma ameaça não apenas à Venezuela, mas à estabilidade global. Moncada afirmou que, apesar da gravidade da situação, as instituições venezuelanas seguem funcionando e que a posse interina da vice-presidente Delcy Rodríguez garante a continuidade constitucional.