BrasilCuriosidadesDestaque Por Redação

Pobreza pode atrasar desenvolvimento motor de bebês já aos seis meses, aponta estudo

Imagem: Marcelo Casal Jr. | Agência Brasil

Bebês que vivem em condições de pobreza podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor a partir dos seis meses de idade. A constatação é de um estudo da Universidade Federal de São Carlos, publicado na revista científica Acta Psychologica, que acompanhou 88 crianças no interior de São Paulo. A pesquisa identificou que bebês em contextos socioeconômicos mais vulneráveis demoravam mais para agarrar objetos, virar o corpo e sentar, demonstrando menor repertório de movimentos.

Segundo a autora Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, a menor variedade de movimentos está associada à falta de estímulos e recursos no ambiente doméstico. Estudos anteriores indicam que atrasos no desenvolvimento infantil podem repercutir no desempenho escolar, com possíveis dificuldades de atenção, coordenação motora e aprendizagem, embora a relação ainda precise de mais investigações.

O estudo também trouxe uma perspectiva positiva: os atrasos podem ser revertidos rapidamente com estímulos simples e acessíveis. Aos oito meses, muitos bebês avaliados já não apresentavam dificuldades significativas após a adoção de práticas como colocá-los de barriga para baixo (tummy time), conversar, cantar e oferecer objetos simples para exploração sensorial. As orientações foram reforçadas durante visitas às famílias, incentivando a interação entre mães e bebês e a exploração segura do ambiente.

A pesquisa observou que, em lares mais pobres, os bebês permaneciam mais tempo contidos em carrinhos ou com pouca liberdade para se movimentar, muitas vezes por falta de espaço. A presença ativa dos pais, maior escolaridade materna e apoio familiar mostraram impacto positivo no desenvolvimento infantil. Para a pesquisadora, visitas de profissionais de saúde e orientações precoces são essenciais, especialmente quando mães são adolescentes ou têm pouca informação sobre estímulos adequados.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância indicam que cerca de 400 milhões de crianças vivem em situação de pobreza no mundo, expostas a privações que afetam saúde, desenvolvimento e bem-estar. O estudo reforça que, apesar das desigualdades, intervenções simples e orientação adequada podem melhorar significativamente o desenvolvimento dos bebês.