Brasil Por Redação

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças no carnaval

Imagem: Fernando Frazão | Agência Brasil

Trabalhadoras ambulantes que atuam no carnaval do Rio de Janeiro cobram a ampliação de espaços de apoio para seus filhos durante o período de folia. Sem creches abertas e sem rede de apoio familiar, muitas mães levam as crianças para as ruas enquanto trabalham por longas horas sob sol intenso e em meio a multidões.

Para vendedoras como Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos, o carnaval representa a principal oportunidade de renda do ano. Moradora da Zona Norte, ela percorre blocos da Zona Sul com bebidas para venda e leva consigo a filha de quatro anos. Outras trabalhadoras relatam situação semelhante, mantendo os filhos próximos às barracas improvisadas, onde enfrentam condições precárias, com alimentação limitada e ausência de infraestrutura básica.

Segundo o movimento Elas por Elas Providência, que representa ambulantes, o carnaval movimenta cerca de R$ 5,8 bilhões na economia local e funciona como uma espécie de décimo terceiro salário para a categoria. As trabalhadoras defendem a criação de espaços de convivência próximos aos blocos e áreas centrais, funcionando durante todo o dia, para garantir segurança, alimentação e descanso às crianças.

Neste ano, uma articulação entre o movimento, o Tribunal Regional do Trabalho e a prefeitura viabilizou um espaço noturno para acolhimento de crianças entre 4 e 12 anos durante os desfiles. O local oferece atividades recreativas, refeições, banho e descanso entre 18h e 6h, atendendo cerca de 20 crianças por noite. Apesar do alívio para algumas famílias, as ambulantes afirmam que a medida é insuficiente, já que muitas trabalham também durante o dia.

Mães que atuam longe do Sambódromo relatam dificuldades para utilizar o serviço devido à distância. Elas defendem que os pontos de apoio sejam descentralizados e ampliados, destacando que prestam um serviço essencial à festa e merecem melhores condições de trabalho e proteção para seus filhos.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que realiza ações permanentes de prevenção ao trabalho infantil e mantém equipes no entorno do Sambódromo para orientar trabalhadores. Também destacou o funcionamento do espaço de convivência infantil próximo à Sambódromo da Marquês de Sapucaí. As ambulantes, porém, cobram mais diálogo e políticas públicas que contemplem a realidade de quem sustenta a folia nas ruas.