BrasilDestaqueMundo Por Redação

Luiz Inácio Lula da Silva defende governança global da IA liderada pela Organização das Nações Unidas em cúpula na Nova Délhi

Imagem: Ricardo Stuckert

Durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um modelo de governança global da inteligência artificial sob liderança da Organização das Nações Unidas. Segundo ele, o avanço acelerado da chamada Quarta Revolução Industrial ocorre em um momento de enfraquecimento do multilateralismo, o que torna estratégica a construção de regras internacionais para o uso da tecnologia.

O presidente ressaltou que grandes inovações tecnológicas possuem caráter dual, trazendo benefícios e riscos éticos e políticos. Lula citou iniciativas internacionais já em andamento, como a proposta chinesa de uma organização de cooperação em inteligência artificial voltada aos países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial criada no âmbito do G7. Para ele, porém, nenhum desses fóruns substitui a universalidade da ONU na construção de uma governança multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.

Em sua fala, Lula destacou impactos positivos da inteligência artificial na produtividade industrial, nos serviços públicos, na medicina e na segurança alimentar e energética. Ao mesmo tempo, alertou para riscos como disseminação de desinformação, discursos de ódio, pornografia infantil e manipulação de processos eleitorais por conteúdos falsos gerados por IA, capazes de ameaçar a democracia.

O presidente afirmou que o Brasil defende um modelo de governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a tecnologia fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.

A cúpula integra o chamado Processo de Bletchley, série de encontros intergovernamentais sobre segurança e governança da inteligência artificial iniciada em 2023 no Reino Unido.