
Quase todos os cefalópodes, grupo de animais marinhos que inclui polvos, sépias e lulas, possuem uma capacidade extraordinária de alterar sua aparência, mudando não apenas a cor e os padrões da pele, mas também a forma e a textura do corpo. Essa habilidade é a transformação mais rápida registrada no reino animal, permitindo que esses moluscos se adaptem a diferentes situações de maneira quase instantânea. No Dia Internacional do Polvo, celebrado em 4 de outubro, vale destacar que essa capacidade evolutiva vai muito além da simples camuflagem.
A pele dos polvos e lulas é coberta por milhões de células chamadas cromatóforos, semelhantes a pixels, que contêm pigmentos e são rodeadas por fibras musculares. Esses músculos podem contrair ou expandir os cromatóforos, criando padrões e cores variadas. Além disso, pequenas saliências, chamadas papilas, permitem alterar a textura da pele, tornando-a lisa, rugosa ou ondulada. Combinando esses recursos, um polvo comum (Octopus cyanea) pode se tornar quase transparente em areia clara ou assumir tons escuros e rugosos em meio a rochas, e até apresentar reflexos laranja ou vermelho próximo a corais. Lulas, como os filhotes de Sepia apama, imitam o movimento de algas balançando para se camuflar entre elas.
A mudança de cor e forma dos cefalópodes serve a diferentes funções. Primeiramente, os polvos usam essas alterações para intimidar predadores. Quando ameaçados, podem escurecer o corpo, alongar os braços e levantar papilas para parecerem maiores, enquanto algumas lulas chegam a criar falsos olhos em seu manto. Espécies venenosas, como o polvo de anéis azuis, exibem cores chamativas para alertar predadores sobre seu perigo, e polvos miméticos podem imitar animais mais perigosos para se proteger.
Além da defesa, a alternância de cor também ajuda na caça, enganando e hipnotizando presas. Lulas-faraó, por exemplo, imitam caranguejos dóceis para se aproximar de peixes sem assustá-los, e lulas-dos-recifes-do-Caribe simulam um peixe-herbívoro nadando de costas para capturar presas. Alguns cefalópodes projetam padrões, listras e círculos por todo o corpo, criando ilusões visuais que confundem a vítima, fazendo com que ela subestime a aproximação do predador. Pesquisadores observam que padrões em movimento no corpo dos cefalópodes funcionam como um truque de mágica, hipnotizando e desorientando presas antes do ataque.
Por fim, a mudança de aparência também tem funções sociais e de comunicação. Os polvos usam cores para sinalizar estado de alerta, disposição para acasalamento ou submissão, funcionando como uma linguagem visual entre indivíduos. Essa diversidade de usos evolutivos revela que a camuflagem é apenas uma das muitas estratégias de sobrevivência dos cefalópodes, que se destacam entre todos os animais conhecidos pela capacidade de manipular cor, forma e textura de maneira complexa e dinâmica.
Imagem: Balland | Pexels
