Brasil Por Redação

Governo reforça SUS com 760 profissionais em enfermagem obstétrica

Imagem: Divulgação

O Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde com 760 profissionais em formação na especialização em enfermagem obstétrica da Rede Alyne. O curso começou em novembro de 2025 e é voltado a enfermeiros com pelo menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS. A iniciativa conta com investimento de R$ 17 milhões e tem como objetivo ampliar a oferta de especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal em todo o país.

Atualmente, o Brasil tem cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados, número considerado insuficiente para a demanda nacional. Dados do Conselho Federal de Enfermagem indicam que menos da metade desses profissionais possui vínculo com estabelecimentos de saúde cadastrados, o que limita a presença dessa especialidade nas maternidades. Em comparação com países onde o modelo de atenção ao parto é baseado na enfermagem obstétrica, o Brasil apresenta uma proporção muito menor de profissionais por número de nascidos vivos.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com 38 instituições de ensino e conta com o apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras. A proposta é qualificar profissionais para atuar desde o pré natal até o pós parto, com foco no parto fisiológico e na redução de intervenções desnecessárias. Especialistas destacam que a presença de enfermeiros obstétricos contribui para partos mais humanizados, menor índice de cesarianas e redução de complicações associadas a procedimentos invasivos.

Para o conselheiro do Cofen Renné Costa, o reforço na formação é positivo, mas ainda insuficiente diante do tamanho do país. Ele ressalta que a enfermagem obstétrica valoriza a fisiologia do parto e ajuda a diminuir práticas consideradas inadequadas ou violentas, além de ampliar o acesso das mulheres a informações e ao planejamento do parto. Já a médica Margareth Portella, da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, avalia que esses profissionais são fundamentais para o atendimento de gestações de risco habitual, mas destaca a importância de treinamento prático e integração com equipes médicas para lidar com possíveis emergências.

A ampliação da especialização integra a estratégia da Rede Alyne, lançada pelo governo federal para reestruturar a assistência materno infantil no país. O programa busca reduzir a mortalidade materna e neonatal, além de enfrentar desigualdades no acesso à saúde, especialmente entre mulheres negras e populações em situação de maior vulnerabilidade. A expectativa é que a formação dos novos profissionais fortaleça a rede pública e melhore a qualidade do cuidado oferecido às gestantes e aos recém nascidos.