
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas afirmou que os direitos humanos estão sob ataque em todo o mundo, durante discurso de abertura da 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Segundo ele, o Estado de Direito vem sendo substituído pelo “Estado de Força”, em um cenário marcado por violações generalizadas do direito internacional, enfraquecimento deliberado das instituições e crescimento da impunidade.
Guterres citou conflitos no Sudão, em Gaza, em Myanmar e na Ucrânia como exemplos de crises que têm provocado sofrimento devastador à população civil. Ele informou que deverá relatar ao Conselho de Segurança dados sobre o quarto ano da invasão russa à Ucrânia, que já teria deixado mais de 15 mil civis mortos.
O secretário-geral também alertou para a deterioração da situação nos territórios palestinos ocupados, afirmando que a solução de dois Estados está sendo progressivamente inviabilizada. Para ele, a comunidade internacional não pode permitir o colapso dessa perspectiva diplomática.
Outro ponto de preocupação é a crise de financiamento enfrentada pela ONU. Guterres destacou que as necessidades humanitárias estão “explodindo” enquanto os recursos diminuem. Os Estados Unidos, maior doador da organização, deixaram de repassar parte significativa dos valores devidos, o que tem impactado investigações e operações de direitos humanos.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, reforçou que o mundo vive a competição mais intensa por poder e recursos desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, violações persistem em diferentes regiões e duas investigações iniciadas em 2025, sobre possíveis crimes na República Democrática do Congo e abusos no Afeganistão, ainda não entraram em operação por falta de recursos.
Em sua fala, Guterres relacionou a crise dos direitos humanos a desafios globais como desigualdades crescentes, endividamento de países, mudanças climáticas e uso inadequado de tecnologias, incluindo inteligência artificial. Ele mencionou restrições ao espaço cívico, repressão a jornalistas e ativistas, retrocessos nos direitos das mulheres e ataques a minorias, migrantes, refugiados e comunidades LGBTQIA+.
Ao encerrar o discurso, o secretário-geral defendeu três frentes prioritárias: a proteção das bases do direito internacional, o fortalecimento das instituições multilaterais, incluindo reformas no Conselho de Segurança, e o uso dos direitos humanos como fundamento para sociedades mais estáveis e economias mais justas. Em seu décimo e último ano no cargo, Guterres afirmou que os direitos humanos não são negociáveis e devem permanecer como alicerce de um mundo mais seguro e solidário.
Com informações da Reuters
