
Uma pesquisa divulgada pela Plan Brasil mostra que a violência sexual é a violação mais comum sofrida por meninas no país, citada por 87% dos brasileiros como o tipo de agressão que mais vitima esse público. O levantamento, feito pelo Instituto QualiBest com 824 participantes de todas as regiões e classes sociais, também apontou que 60% da população acredita que as meninas estão hoje muito mais vulneráveis do que há dez anos.
Além da violência sexual, também foram mencionadas a violência física, psicológica e online, que inclui assédio, cyberbullying e exposição de imagens na internet. A especialista em gênero e inclusão Ana Nery Lima destacou que o reconhecimento das diferentes formas de violência é essencial para rompê-las e denunciá-las. Ela alertou que, embora muitas pessoas vejam a internet como o ambiente mais perigoso, a maioria dos casos de abuso ocorre dentro das próprias casas, cometidos por pessoas conhecidas, como familiares, colegas ou figuras de confiança.
O estudo também revelou a influência das redes sociais na vulnerabilidade das meninas: 92% dos entrevistados acreditam que a internet aumentou os riscos, e 74% dos pais afirmaram publicar fotos de filhos menores em suas contas. Para especialistas, essa exposição pode ser perigosa, especialmente diante do avanço de tecnologias como o deepfake, que usa inteligência artificial para criar montagens com imagens de crianças e adolescentes em contextos sexuais sem consentimento.
Casos de deepfake envolvendo estudantes foram identificados em pelo menos dez estados brasileiros, com vítimas e agressores menores de idade. A organização SaferNet, responsável por monitorar o tema, alerta que a falta de investigação e de políticas públicas sobre o uso dessas tecnologias agrava a situação. Para Ana Nery Lima, combater a violência contra meninas exige reconhecer que o problema é estrutural e cultural, e que “a sociedade brasileira ainda reproduz o machismo e a misoginia que alimentam essas violações cotidianas”.
