BrasilCuriosidadesMundo Por Redação

Adotar um cachorro pela primeira vez exige preparo e consciência, alertam especialistas

Imagem: Chevanon Photography

A chegada de um cachorro à família costuma ser associada a alegria e afeto, mas um estudo publicado na revista científica Plos One mostra que a experiência pode trazer desafios inesperados para tutores de primeira viagem. A pesquisa, conduzida no Reino Unido durante a pandemia da Covid-19, revelou que muitos novos donos subestimaram o trabalho envolvido em cuidar de um cão, especialmente quando se trata de filhotes. Entre os principais relatos estão noites mal dormidas, móveis destruídos e dificuldades para adaptar a rotina.

A cientista Rowena Packer, do Royal Veterinary College, que liderou o estudo, explica que muitos buscavam nos cães um suporte emocional durante o isolamento, sem considerar o nível de dedicação que o animal exige. “Embora muitos tutores tenham relatado felicidade, cerca de um terço disse que a experiência foi mais desafiadora do que esperavam”, afirma. O comportamento dos filhotes, marcado por energia e curiosidade intensas, costuma demandar paciência e tempo, algo que, segundo os pesquisadores, nem todos estavam preparados para oferecer.

O cientista comportamental Clive Wynne, da Universidade Estadual do Arizona, reforça que a decisão de adotar deve ser movida por motivos conscientes. “Um cachorro não é um dispositivo que você desliga quando sai de casa. É um ser social que precisa de convivência e atenção”, alerta. Wynne lembra que cada animal tem personalidade própria, e mesmo cães da mesma raça, ou clones, como cita em um de seus estudos, podem apresentar comportamentos completamente diferentes conforme suas experiências de vida.

Outro ponto levantado pelos pesquisadores é a importância de ensinar crianças a interagir corretamente com cães. Durante a pandemia, houve aumento global nos casos de mordidas, resultado de interações inadequadas, como puxões de orelhas ou perturbações durante as refeições. A especialista Maria Kyle, da Dogs Trust, orienta pais e responsáveis a seguirem o que chama de “ABC do bom amigo do cão”: demonstrar afeto de forma que o animal compreenda, respeitar seu espaço e permitir que ele tenha escolha em suas interações.

Os especialistas também sugerem discutir em família como dividir responsabilidades antes da adoção. O estudo mostrou que 95% dos cuidadores principais eram mulheres, o que gerou sobrecarga em muitos lares. “A preparação é essencial para evitar frustrações e garantir o bem-estar do cão e da família”, resume Packer. Para quem pensa em adotar, Wynne recomenda considerar cães adultos, muitas vezes mais tranquilos e adaptados, inclusive os vira-latas de abrigos.

Apesar dos desafios, o estudo conclui que a convivência com um cachorro continua sendo uma das experiências mais gratificantes que uma pessoa pode ter, desde que seja baseada em consciência, preparo e compromisso. “Um cão pode transformar a vida de alguém, mas também depende de nós garantir que ele tenha uma vida boa em troca”, afirma Wynne.

Com informações da National Geographic