
A Polícia Federal afirmou que foi informada sobre o planejamento da Operação Contenção, realizada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro, mas decidiu não participar da ação. De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que se reuniu nesta quarta-feira (29) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação interna foi de que a operação “não era razoável” dentro das atribuições legais da instituição.
Segundo Rodrigues, houve contato prévio da superintendência regional para saber se a PF poderia colaborar no cumprimento dos mandados judiciais previstos na ação, mas o apoio foi descartado porque a atuação da corporação é voltada à investigação e não a ações ostensivas. Ele afirmou ainda que a deflagração da operação, iniciada na terça-feira (28), não foi comunicada oficialmente à PF antes de ocorrer.
A Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, teve como resultado mais de 130 mortes, segundo contagens preliminares de moradores e organizações que atuam na região. A ação se tornou a mais letal da história recente do país, superando o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo. O governo do estado afirmou que as mortes ocorreram porque houve reação armada, enquanto especialistas e ativistas classificaram o episódio como um massacre.
Rodrigues destacou que a PF continuará atuando no Rio de Janeiro dentro das diretrizes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu medidas para reduzir a letalidade policial. Segundo ele, já há um grupo de trabalho que integra forças de inteligência, COAF e Receita Federal para o rastreamento financeiro e a prisão de lideranças do crime organizado. “A nossa atuação é na investigação, na descapitalização e na inteligência. É isso que estamos fazendo no Rio”, afirmou.
