Brasil Por Redação

Castro discute com Moraes operação e plano de retomada de territórios no Rio

Imagem: Philippe Lima

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, recebeu nesta segunda-feira (3) o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova. Durante o encontro, Castro apresentou ao ministro detalhes da Operação Contenção, realizada na semana passada nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 mortes. A ação teve como objetivo conter o avanço territorial da facção Comando Vermelho e foi a incursão policial mais letal já registrada no estado.

A visita de Moraes ocorreu no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, da qual ele é relator temporário. A ação estabelece diretrizes para reduzir a letalidade policial, como o uso proporcional da força, maior controle das operações e planejamento para reocupação de áreas dominadas por grupos criminosos. O governo do estado informou que encaminhará ao STF um relatório sobre o cumprimento das determinações da Corte.

Durante a agenda, o ministro visitou ainda a Sala de Inteligência e Controle do CICC, onde são monitoradas em tempo real as câmeras corporais utilizadas pela Polícia Militar e o sistema de reconhecimento facial. O espaço reúne representantes das forças de segurança e órgãos públicos, atuando no acompanhamento de operações, grandes eventos e ocorrências emergenciais. Após a reunião, Moraes não concedeu entrevistas. Castro afirmou que a conversa tratou do projeto de retomada de territórios e da política de segurança do estado, destacando que o Ministério Público acompanha a elaboração das estratégias.

A Operação Contenção mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Ao final, segundo o governo, 113 pessoas foram presas, 118 armas foram apreendidas e cerca de 1 tonelada de drogas foi recolhida. Quatro policiais morreram durante os confrontos. O governo sustenta que os mortos reagiram à abordagem policial, enquanto familiares das vítimas e organizações sociais acusam o Estado de ter promovido uma “chacina”.