BrasilDestaqueMundo Por Redação

Especialistas apontam inadequação em oferta de apoio dos EUA ao Rio

Imagem: Alan Santos

Especialistas em relações internacionais e segurança pública consideram inadequado o comunicado enviado pelo governo dos Estados Unidos oferecendo “qualquer apoio necessário” à Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro após a Operação Contenção, que registrou 121 mortes e a morte de quatro policiais. A manifestação foi assinada por James Sparks, representante da Divisão Antidrogas dos EUA, e encaminhada diretamente ao governo estadual, sem intermediação do Itamaraty.

De acordo com o cientista político e professor de relações internacionais Bruno Lima Rocha, situações semelhantes já ocorreram no país, como no período da Operação Lava Jato, quando houve interlocução direta entre autoridades brasileiras e o FBI. Para ele, a prática configura ingerência em assuntos internos e remete à lógica de cooperação policial adotada pelos EUA durante a Guerra Fria, marcada por influência direta em políticas de segurança de países latino-americanos.

O professor Raphael Lana Seabra, da Universidade de Brasília, classifica a iniciativa como “incomum e inadequada”, por envolver temas relacionados à soberania e por não se alinhar aos protocolos diplomáticos tradicionais. Seabra ressalta que o narcotráfico é um problema que também impacta os próprios Estados Unidos e que ações unilaterais de apoio não são oferecidas quando casos semelhantes ocorrem em território norte-americano.

Os especialistas também criticam propostas de setores da oposição brasileira que defendem a classificação de facções ligadas ao tráfico como grupos terroristas. Para Rocha, essa reclassificação descaracterizaria a natureza criminal dessas organizações, que atuam prioritariamente para acumulação econômica, sem motivação ideológica ou política. Ele afirma que a medida poderia abrir precedentes para abusos, especialmente em um cenário de tensão política na América Latina.

Diante da manifestação dos EUA, Rocha defende que a resposta deve partir de autoridades federais, como Polícia Federal e Ministério das Relações Exteriores, reafirmando os limites de cooperação e a autonomia do Estado brasileiro. Já o governo do Rio afirmou, em nota, que mantém troca de informações com instituições internacionais de combate ao narcotráfico e que o contato com o DEA não implica permissão para ações norte-americanas em solo brasileiro, o que é proibido pela legislação nacional.