Brasil Por Redação

Maternidade da UFRJ se torna referência no acolhimento ao luto gestacional

Imagem: Tomaz Silva

A Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, localizada em Laranjeiras, zona sul da capital fluminense, vem se consolidando como referência nacional no atendimento a famílias que enfrentam o luto gestacional, neonatal ou infantil. A unidade desenvolve há cerca de 15 anos protocolos específicos para acolher mães e parentes após a perda de um bebê, antecipando a política de humanização do luto materno e parental, que passou a vigorar em agosto deste ano em maternidades públicas e privadas de todo o país. A diretriz regulamenta ações de cuidado, despedida e acompanhamento psicológico para reduzir o sofrimento decorrente da perda.

Um dos diferenciais da maternidade é o espaço destinado ao momento de despedida, conhecido como “morge”. No local, famílias podem passar um último período com o bebê, registrar lembranças, vestir roupinhas e realizar rituais de afeto. Corações de pano feitos por voluntárias são entregues em pares, um para os pais e outro que permanece com o bebê. Segundo a equipe de psicologia da unidade, esse momento tem impacto significativo na elaboração do luto e ajuda a família a enfrentar uma situação marcada por dor profunda. A maternidade também assegura privacidade em leitos da enfermaria e da UTI, onde a equipe respeita o tempo de cada mãe.

A instituição foi uma das primeiras do país a criar a Enfermaria da Finitude, espaço destinado exclusivamente às mulheres que perderam seus bebês, evitando que compartilhem ambiente com puérperas em aleitamento. A prática segue a legislação que determina a separação de ambientes, a possibilidade de registrar o nome escolhido para o bebê na certidão de óbito e a oferta de acompanhamento psicológico após a alta. Apesar de limitações estruturais e de equipe, a maternidade oferece atendimento presencial e remoto e busca parcerias para ampliar o suporte.

Além disso, a unidade adota ações de cuidado emocional para familiares e profissionais, como sessões de musicoterapia, com o objetivo de aliviar o impacto emocional do trabalho e da vivência da perda. A direção da maternidade destaca que a consolidação dessas práticas exige mudança de cultura nas instituições de saúde, com formação continuada e sensibilização das equipes. A maternidade também realiza pré-natal de alto risco e recebe gestantes de todo o estado, reforçando seu papel estratégico no atendimento humanizado.