
A vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, afirmou nesta quinta-feira, durante evento da COP30, em Belém, que a Organização das Nações Unidas não reconhece de forma adequada o valor político e cultural das populações negras e indígenas nas decisões globais sobre o clima. A declaração ocorreu em um painel sobre racismo ambiental organizado pela presidência da conferência, na chamada Zona Azul.
Durante sua fala, Francia disse que as desigualdades climáticas enfrentadas por povos historicamente oprimidos refletem estruturas de racismo sistemático. Ela relatou que, na COP16, houve resistência para que afrodescendentes fossem oficialmente reconhecidos como categoria, episódio que considera emblemático da postura da ONU. A vice-presidente também afirmou que os impactos mais severos da emergência climática recaem sobre comunidades racializadas, que por décadas foram alvo de violência estrutural e exclusão.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, participou do debate e reforçou as críticas, citando vivências no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para exemplificar como a falta de infraestrutura e a desigualdade ambiental tornam essas populações mais vulneráveis a extremos climáticos, como calor excessivo, enchentes e esgoto a céu aberto. A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou que o governo federal tem priorizado ações de transição justa e fortalecido a participação dos povos tradicionais, que alcançaram nesta edição o maior protagonismo já registrado em uma COP.
Guajajara ressaltou que tragédias climáticas recentes demonstram como o racismo ambiental atinge de maneira mais dura comunidades vulneráveis e afirmou que o tema seguirá como prioridade na conferência. Também citou documentos e diretrizes lançados pelo Brasil para reforçar a agenda de enfrentamento às desigualdades climáticas.
