
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as investigações realizadas pelo órgão não apontam conexão entre facções brasileiras e grupos considerados terroristas por outros países. A declaração foi dada durante sessão da CPI do Crime Organizado, no Senado, após questionamento do senador Hamilton Mourão sobre uma possível atuação de organizações terroristas na região da Tríplice Fronteira.
Andrei explicou que, apesar de relatos e citações frequentes sobre o tema, as apurações não confirmam qualquer cooperação concreta entre o crime organizado nacional e grupos estrangeiros classificados como terroristas. O diretor-geral destacou que esse tipo de narrativa costuma ser usado como instrumento de pressão geopolítica e que o Brasil não pretende se alinhar a interpretações sem respaldo investigativo.
O tema voltou à discussão após os Estados Unidos oferecerem recompensa de US$ 10 milhões por informações que levem ao desmonte de supostos mecanismos financeiros ligados ao Hezbollah na Tríplice Fronteira. O grupo, embora não seja classificado como terrorista pela ONU, recebe essa designação de Washington e de aliados como Israel, Reino Unido e Alemanha. Países como Paraguai têm reforçado parcerias com os EUA e autorizaram a instalação de estruturas do FBI para atuar na região.
Ainda assim, segundo a PF, aprofundamentos investigativos mostram que as alegações de cooperação entre facções brasileiras e organizações internacionais não se sustentam. Especialistas em relações internacionais também alertam que o discurso do “combate ao terrorismo” costuma ser utilizado pelos Estados Unidos para justificar influência em políticas internas de outros países, o que poderia incluir pressões sobre o Brasil.
