Brasil Por Redação

Brasil perde mais de 6 mil piscinas de água tratada por dia, aponta estudo

Imagem: Marcello Casal | Agência Brasil

O Brasil desperdiça diariamente o equivalente a mais de 6,3 mil piscinas olímpicas de água tratada antes que o recurso chegue às torneiras. O dado integra o Estudo de Perdas de Água 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, com base em informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento referentes a 2023. Segundo o levantamento, o país perdeu 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada em um ano, volume que poderia abastecer cerca de 50 milhões de pessoas.

As perdas totais representam 40,31 por cento da água produzida nacionalmente, índice superior à meta de 25 por cento estabelecida pela Portaria 490 de 2021. As regiões Norte e Nordeste registram os piores percentuais de desperdício, com 49,78 por cento e 46,25 por cento, respectivamente. Alagoas, Roraima e Acre aparecem entre os estados com os maiores índices, superando 60 por cento de perdas. Já Goiás, Distrito Federal e São Paulo têm os melhores indicadores. O estudo aponta que os prejuízos decorrem de vazamentos, falhas de medição e consumos irregulares, sendo que as perdas físicas ultrapassam 3 bilhões de metros cúbicos por ano.

O impacto ambiental também é significativo. A necessidade de captar mais água do que o consumo real pressiona rios, reduz a disponibilidade hídrica e amplia custos de mitigação, especialmente em um cenário de secas prolongadas, calor extremo e mudanças no regime de chuvas. Cerca de 34 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água tratada, enquanto o sistema arca com gastos adicionais em químicos, energia, manutenção e captação em mananciais cada vez mais fragilizados.

Para os autores do levantamento, a redução das perdas deve ser tratada como medida urgente de adaptação climática, tema em discussão na COP30. Caso o país atingisse a meta de 25 por cento, haveria economia de 1,9 bilhão de metros cúbicos de água, volume suficiente para abastecer 31 milhões de pessoas por um ano. O ganho econômico estimado seria de 17 bilhões de reais até 2033, reforçando a infraestrutura hídrica e ampliando a segurança no abastecimento.