
Daqui a pouco menos de dois meses, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, completa sete anos. A tragédia, ocorrida em janeiro de 2019, deixou 272 mortos, pessoas desaparecidas e provocou impactos ambientais, econômicos e sociais que seguem presentes no cotidiano da população. A barragem era de responsabilidade da mineradora Vale.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, realizado por pesquisadores do Projeto Brumadinho, aponta que 70% dos domicílios do município relataram algum tipo de adoecimento físico ou mental desde o desastre, evidenciando que os efeitos sobre a saúde permanecem estruturais e persistentes. Sintomas como estresse, insônia, ansiedade, hipertensão e episódios depressivos seguem recorrentes, e mais da metade dos adultos passou por acompanhamento psicológico ou psiquiátrico após o rompimento.
O levantamento também indica agravamento de doenças crônicas e aumento da demanda por atendimentos especializados, em um cenário de dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Cerca de 76% das famílias afirmaram enfrentar obstáculos para realizar consultas, exames ou tratamentos, reflexo da sobrecarga da rede pública e das mudanças na dinâmica do município após a tragédia.
A insegurança sanitária continua sendo um fator central. Segundo o estudo, 77% das famílias vivem com receio constante de contaminação dos alimentos. Pesquisas identificaram a presença de metais pesados como manganês, arsênio, chumbo, mercúrio e cádmio em diferentes matrizes ambientais, com a água sendo apontada como o principal vetor de risco. Mais de 80% dos domicílios relataram impactos no uso e na qualidade da água fornecida.
As consequências econômicas também são duradouras. De acordo com estimativas dos pesquisadores, Brumadinho pode registrar perdas bilionárias no Produto Interno Bruto ao longo do tempo, mesmo após o acordo de reparação firmado em 2021. Especialistas destacam que a dependência histórica da mineração foi substituída, em parte, por atividades ligadas à reparação, mas alertam que a falta de diversificação econômica pode prolongar os prejuízos e a instabilidade no futuro.
