Brasil Por Redação

Acesso à internet cresce no Brasil, mas desigualdade entre classes ainda limita a qualidade

Imagem: Tânia Rêgo | Agência Brasil

O acesso à internet chegou a 86% dos lares brasileiros em 2025, segundo a pesquisa TIC Domicílios, o maior índice já registrado desde o início da série histórica em 2015. O avanço foi impulsionado principalmente pela inclusão digital dos lares mais pobres, onde a conexão passou de 15% para 73% em uma década. Apesar disso, a pesquisa aponta que o tipo de conexão, a velocidade e a forma como cada grupo social utiliza a rede ainda refletem profundas diferenças de renda.

Entre as classes D e E, apenas 60% utilizam fibra óptica, enquanto nas classes mais altas o acesso é praticamente universal. A disparidade também aparece na forma de conexão: 87% das pessoas das classes D e E acessam a internet exclusivamente pelo celular, o que limita o uso de serviços, vídeos e plataformas que demandam maior estabilidade. A escolaridade e a idade também influenciam o acesso, que chega a 98% entre pessoas com ensino superior, mas cai para 54% entre brasileiros acima de 60 anos.

A pesquisa avaliou pela primeira vez a qualidade dos pacotes de dados móveis, revelando que 33% dos usuários enfrentam redução de velocidade após o consumo total do plano e que até 37% precisam contratar pacotes extras. O estudo também mapeou novos comportamentos online. O uso de IA generativa já alcança 32% da população, com grande diferença entre classes sociais: vai de 69% na classe A para apenas 16% nas classes D e E. Já as apostas online, medidas pela primeira vez, são utilizadas por 19% dos brasileiros, com predominância masculina.

O levantamento apontou ainda a consolidação do gov.br como ferramenta de serviços públicos, acessada por 56% dos brasileiros, embora o uso varie fortemente entre as classes sociais e regiões do país, chegando a apenas 48% no Nordeste. A pesquisa TIC Domicílios é realizada pelo Cetic.br, com apoio da Unesco.