
O número de casos de acidente vascular cerebral tende a aumentar nos meses mais quentes do ano, segundo alerta do neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro. De acordo com o médico, o calor favorece a desidratação do organismo, o que torna o sangue mais espesso e aumenta a possibilidade de formação de coágulos, principal causa do AVC isquêmico, tipo mais comum da doença.
O especialista explica que existem dois tipos principais de AVC: o hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso cerebral e responsável por cerca de 20% dos casos, e o isquêmico, causado pelo entupimento de uma artéria cerebral por um coágulo. No verão, a desidratação e a vasodilatação provocada pelo calor contribuem para alterações na pressão arterial e podem favorecer arritmias cardíacas, aumentando o risco de formação de coágulos que podem migrar para o cérebro.
Outro fator de risco apontado é o maior consumo de bebidas alcoólicas durante o período de férias, o que intensifica a desidratação e eleva a chance de arritmias. A negligência com o uso regular de medicamentos e o aumento de doenças típicas do verão, como gastroenterites, insolação e esforço físico excessivo, também contribuem para a maior incidência de AVC nessa época do ano. O tabagismo, segundo o médico, permanece como uma das principais causas externas da doença, favorecendo tanto o AVC isquêmico quanto o hemorrágico.
Orlando Maia destaca ainda que o estilo de vida moderno, aliado ao tabagismo e ao controle inadequado de doenças crônicas, tem feito crescer o número de casos em pessoas com menos de 45 anos. No Hospital Quali Ipanema, o atendimento a pacientes com AVC no verão chega a cerca de 30 casos por mês, o dobro do registrado em outras épocas do ano. O médico ressalta que o AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo e que uma em cada seis pessoas terá a doença ao longo da vida.
Segundo o especialista, a prevenção é fundamental e envolve hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão arterial, uso correto de medicamentos e abandono do tabagismo. Maia também reforça a importância do atendimento rápido diante dos sintomas, como paralisia súbita, dificuldade para falar, perda de visão ou tontura intensa, já que o tratamento é mais eficaz quando iniciado nas primeiras horas após o início do quadro.
