
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira, que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável discuta alternativas para a redução da jornada de trabalho no Brasil, incluindo o fim da escala seis por um. Durante a 6ª Reunião Plenária do colegiado, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula afirmou que os avanços tecnológicos aumentaram significativamente a produtividade, mas não resultaram em melhoria proporcional na qualidade de vida dos trabalhadores. Para ele, a manutenção da jornada semanal de 44 horas não se justifica diante desse cenário, destacando que diversos países já adotaram reduções sem prejuízo econômico.
O presidente citou experiências do período em que atuou no movimento sindical para reforçar o argumento. Segundo Lula, a modernização dos processos produtivos reduziu o número de trabalhadores, mas elevou a produção, sem que isso se refletisse na diminuição da carga horária ou em melhores salários. Ele afirmou que, caso o Conselhão recomende a redução da jornada, o governo poderá acelerar o debate sobre o fim da escala seis por um, tema que já está em análise no Congresso Nacional por meio de uma proposta de emenda à Constituição.
Além da pauta trabalhista, Lula pediu que o colegiado apresente propostas mais efetivas para o enfrentamento do feminicídio e de crimes como a pedofilia. O presidente defendeu medidas mais rigorosas contra autores desse tipo de violência e citou casos recentes para exemplificar a gravidade do problema. Segundo ele, é necessário que o Estado adote respostas mais duras para crimes cometidos contra mulheres e crianças.
No campo econômico, Lula voltou a criticar a forma como investimentos públicos em áreas como saúde, educação e meio ambiente são tratados como gastos. Ele também rebateu cobranças sobre a política fiscal e afirmou que o país não pode ter ações limitadas por discursos sobre teto de gastos, citando exemplos de grandes economias que ampliam investimentos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também participou da reunião, afirmou que o déficit fiscal do atual governo é significativamente menor do que o de gestões anteriores e destacou queda da inflação e do desemprego. O presidente comentou ainda temas como a rejeição de vetos ao projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental e avaliou que divergências com o Congresso fazem parte do jogo democrático.
