
Há exatos cinco anos, em 17 de janeiro de 2021, o Brasil iniciava a campanha de vacinação contra a covid-19, marcando um dos momentos mais simbólicos do enfrentamento à pandemia. Naquele dia, após a aprovação do uso emergencial das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a enfermeira Mônica Calazans tornou-se a primeira pessoa imunizada no país. Participante dos testes clínicos da CoronaVac, ela representou o início de uma nova etapa no combate a uma crise sanitária que já havia causado milhares de mortes.
A vacinação em massa teve início no dia seguinte, com a distribuição de seis milhões de doses importadas da China pelo Instituto Butantan. Poucos dias depois, o país recebeu mais dois milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, trazidas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz. A campanha priorizou profissionais de saúde, idosos, pessoas institucionalizadas e povos indígenas, em meio ao avanço da variante Gama, considerada mais agressiva e letal.
Apesar do ritmo inicial lento, os efeitos da imunização começaram a aparecer rapidamente. Dados do Observatório Covid-19 Brasil indicam que, a partir de abril de 2021, houve queda expressiva nas internações e mortes entre idosos. Nos primeiros sete meses da campanha, estima-se que 165 mil hospitalizações e 58 mil óbitos nessa faixa etária tenham sido evitados, demonstrando o impacto direto da vacinação na redução da gravidade da doença.
Ao longo do primeiro ano, com a produção nacional de vacinas pelo Butantan e pela Fiocruz e a chegada de novos imunizantes, o Brasil aplicou cerca de 339 milhões de doses, alcançando 84% da população. Especialistas apontam que a vacinação preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas, poupando mais de 300 mil vidas. Ainda assim, estudos indicam que atrasos no início da campanha podem ter resultado em dezenas de milhares de mortes evitáveis, especialmente entre idosos.
Cinco anos depois, o início da vacinação é lembrado como um marco de esperança, ciência e reconstrução. Por trás dos números, permanecem as histórias das vítimas e de seus familiares, que reforçam a importância da resposta rápida, do investimento em ciência e do fortalecimento do sistema público de saúde diante de emergências sanitárias.
