
Um relatório divulgado em 2019 pelo World Wide Fund for Nature (WWF), com base em estudo conduzido pela Universidade de Newcastle, estimou que uma pessoa pode ingerir, em média, cerca de 5 gramas de plástico por semana, o equivalente aproximado ao peso de um cartão de crédito.
A análise combinou dados de mais de 50 estudos sobre ingestão de microplásticos por humanos e estimou que isso corresponde a cerca de 2 mil partículas por semana, aproximadamente 21 gramas por mês e mais de 250 gramas por ano.
Principais fontes de ingestão
Segundo o relatório, a maior fonte individual de ingestão é a água , tanto engarrafada quanto da torneira. O estudo apontou variações regionais relevantes, com concentrações mais altas detectadas nos Estados Unidos e na Índia em comparação com países europeus e a Indonésia.
Entre os alimentos e bebidas analisados, frutos do mar, cerveja e sal figuraram entre os produtos com maior presença de microplásticos.
Outro levantamento, conduzido pela Universidade de Victoria e publicado na revista científica Environmental Science & Technology, estimou que a ingestão anual pode variar entre 74 mil e 121 mil partículas por pessoa, dependendo de idade, sexo e padrão de consumo. O estudo indicou que indivíduos que consomem exclusivamente água engarrafada podem ingerir até 90 mil partículas adicionais por ano, em comparação com aqueles que bebem apenas água da torneira.
Microplásticos no organismo
Em 2018, pesquisadores liderados por Philipp Schwabl, da Universidade de Medicina de Viena, identificaram microplásticos em amostras de fezes humanas coletadas em diferentes países, confirmando que as partículas ingeridas passam pelo trato gastrointestinal.
Os tipos identificados incluíram polímeros como polipropileno (PP), polietileno tereftalato (PET), poliuretano (PU), policloreto de vinila (PVC), poliamida (PA), policarbonato (PC), polietileno (PE) e poliestireno (PS).
Possíveis riscos à saúde
Ainda não há consenso científico sobre os efeitos exatos dos microplásticos no organismo humano. Estudos em animais indicam potencial para inflamação, estresse oxidativo e alterações metabólicas, mas evidências diretas em humanos ainda são limitadas.
Especialistas alertam para dois principais riscos potenciais:
- Mecânico: partículas podem causar irritação da mucosa gastrointestinal ou, em casos extremos, contribuir para obstruções.
- Químico: microplásticos podem liberar aditivos e contaminantes, como bisfenol A (BPA) e compostos presentes no PVC, associados a alterações hormonais e risco aumentado de câncer.
Pesquisadores destacam que a ingestão é apenas uma dimensão da crise do plástico. Estima-se que milhões de toneladas de resíduos plásticos entrem nos oceanos todos os anos, afetando ecossistemas marinhos, cadeias alimentares e a economia global.
Apesar dos dados chamarem atenção, cientistas ressaltam que mais estudos são necessários para compreender a biodisponibilidade dessas partículas, sua capacidade de atravessar barreiras biológicas e seus impactos de longo prazo na saúde humana.
Com informações da WWF, Veja Saúde e BBC News Brasil.
