
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 7, que o aumento dos investimentos em armamentos e a continuidade de conflitos armados, como a guerra na Ucrânia, têm revertido os avanços globais na redução de emissões de gases do efeito estufa. Durante sessão temática da Cúpula do Clima, em Belém, Lula disse que a prioridade militar de grandes potências tem impacto direto no agravamento da crise ambiental.
Segundo o presidente, a reativação de minas de carvão e o redirecionamento de recursos públicos para gastos bélicos interromperam anos de esforços de mitigação climática. Ele afirmou que destinar mais verba às armas do que à transição energética é “pavimentar o caminho para o apocalipse climático”. O encontro reúne chefes de Estado e representantes de organismos internacionais como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e líderes europeus.
Lula destacou ainda que a transição energética global não ocorre de maneira igualitária. Populações de países pobres e em desenvolvimento, segundo ele, continuam distantes de um modelo que garanta acesso seguro e constante à energia, o que afeta desde serviços básicos de saúde até educação e agricultura. O presidente criticou o financiamento ao setor de petróleo e gás por grandes instituições financeiras e disse que a dependência global de combustíveis fósseis permanece praticamente inalterada.
Durante o discurso, Lula anunciou a criação de um fundo nacional para direcionar parte dos lucros da exploração de petróleo ao investimento em fontes renováveis. Ele afirmou que o mecanismo busca apoiar países do Sul Global na transição energética e reduzir desigualdades. O presidente encerrou defendendo a implementação das metas da COP28, como o aumento da matriz renovável e o combate à pobreza energética até 2030, alertando que as decisões tomadas agora definirão se o século será marcado por colapso ambiental ou reconstrução sustentável.
