
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a convocação de uma vigília por aliados nas proximidades da residência onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. Na decisão, Moraes afirmou que o ato poderia gerar tumulto e até facilitar uma “eventual tentativa de fuga”, citando ainda registros de violação da tornozeleira eletrônica utilizados pelo sistema de monitoramento do Distrito Federal na madrugada deste sábado.
Segundo o ministro, o relatório técnico apontou que o equipamento de monitoramento foi violado, indicando, nas palavras do próprio Moraes, a intenção de romper a tornozeleira “para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”. O ministro também mencionou como agravante o fato de Alexandre Ramagem, condenado na mesma ação penal, ter deixado o país e se encontrar em Miami, o que reforçaria o risco de evasão.
A decisão determina que Bolsonaro participe neste domingo de audiência de custódia por videoconferência na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, além de prever atendimento médico integral enquanto durar a custódia. Moraes também estabeleceu que todas as visitas ao ex-presidente necessitam de autorização prévia do STF, com exceção de seus advogados e da equipe médica responsável pelo tratamento.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que investigou o chamado Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto, medida adotada após descumprimento de determinações anteriores do Supremo. Ele estava proibido de acessar embaixadas, manter contato com autoridades estrangeiras e utilizar redes sociais, direta ou indiretamente. A convocação da vigília pelo senador Flávio Bolsonaro, feita na véspera, foi citada pelo ministro como fator que agravou o risco de desordem e interferência no cumprimento das medidas judiciais.
