Brasil Por Redação

Promotor alerta para risco de narcoestado e cobra integração entre polícias

Imagem: Lula Marques | Agência Brasil

O promotor Lincoln Gakiya, uma das principais referências no combate ao Primeiro Comando da Capital, afirmou que a falta de integração entre as forças de segurança é o maior entrave para enfrentar o crime organizado no Brasil. Em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, ele disse que há disputas institucionais entre polícias e Ministério Público que impedem ações coordenadas e colocam o país em risco crescente diante da expansão das facções.

Gakiya avaliou que o Brasil caminha para se tornar um narcoestado caso não haja mudança estrutural. Segundo ele, organizações como o PCC já se infiltraram na economia formal, com atuação em fintechs, criptomoedas e bets, aproveitando brechas na regulação financeira para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Ele destacou ainda que a polarização política tem agravado a falta de cooperação entre órgãos estaduais e federais, dificultando operações conjuntas e a continuidade de políticas de segurança.

Ao comentar o PL Antifacção aprovado na Câmara, o promotor criticou a falta de diferenciação entre líderes e “soldados” das facções. Para Gakiya, é necessário classificar os níveis de organização criminosa e adotar instrumentos mais rigorosos contra grupos com estrutura mafiosa. Ele também criticou a retirada, pelo relator, dos homicídios praticados por facções do Tribunal do Júri, lembrando que tanto jurados quanto juízes estão sujeitos a pressões do crime organizado.

Gakiya defendeu a criação de uma Autoridade Nacional de Combate ao Crime Organizado, reunindo todas as polícias e órgãos do Estado para superar disputas internas e construir uma política de segurança contínua. Ele alertou que o PCC já atua em todos os estados e em pelo menos 28 países, com receita estimada em R$ 10 bilhões anuais, e lembrou que o grupo chegou a controlar empresas de ônibus em São Paulo, beneficiadas por contratos públicos milionários. “Se nada for feito, nós nos tornaremos sim um narcoestado”, afirmou. Com informações da Agência Brasil.