Brasil Por Redação

Ativistas apontam que igualdade racial segue distante apesar de conquistas históricas

Imagem: Fernando Frazão | Agência Brasil

Ativistas negras avaliam que o Brasil ainda está longe de alcançar igualdade racial efetiva, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas. Em entrevistas concedidas à Agência Brasil no Dia da Consciência Negra, representantes de organizações do movimento negro destacaram progressos como as políticas de cotas, a demarcação de territórios quilombolas e a retomada da agenda federal de promoção da igualdade racial, mas alertaram para o crescimento da violência racial e de discursos que negam a existência do racismo no país.

Para Carmela Zigoni, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos, o Brasil ainda enfrenta desafios profundos. Ela mencionou o avanço de práticas racistas mais explícitas e citou como exemplo a invasão da escola Emei Antônio Bento, em São Paulo, por policiais militares após o pai de uma aluna se incomodar com atividades sobre cultura afro-brasileira, conteúdo previsto na Lei 10.639. A ativista afirmou que retrocessos institucionais ocorreram nos últimos anos, mas reconheceu a retomada da política de igualdade racial pelo governo federal, com novos investimentos e a reorganização do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

A fundadora da ONG Criola, Lúcia Xavier, ponderou que a troca de um governo conservador por uma gestão mais democrática trouxe melhora no ambiente social, mas não representou avanços suficientes para mudar as condições de vida da população negra. Ela ressaltou que, apesar de políticas afirmativas no campo educacional, persistem barreiras como a violência policial, a falta de oportunidades de trabalho e dificuldades para permanência estudantil.

Já Alane Reis, coordenadora da Revista Afirmativa e integrante de organizações nacionais de mulheres negras, avaliou que conquistas como as ações afirmativas e o reconhecimento constitucional dos direitos quilombolas são resultado de décadas de mobilização. Para ela, tais políticas ajudaram a romper o mito da democracia racial e fortaleceram o orgulho da juventude negra, embora a desigualdade ainda esteja presente em todos os indicadores sociais e políticos. Alane lembrou que mulheres negras seguem na base da pirâmide social e têm baixa representação institucional.

Dados do Ministério dos Direitos Humanos mostram que, entre janeiro e 16 de novembro de 2025, o Disque 100 registrou mais de 13 mil denúncias relacionadas a racismo e violência étnico-racial. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram as queixas, e as mulheres representam a maioria das vítimas. Para as ativistas, os números demonstram que, embora haja avanços, a igualdade racial no Brasil permanece como uma meta ainda distante, sustentada pela luta contínua dos movimentos negros.